sábado, 2 de junho de 2012

CLIPPING RIO+20 . Principais notícias.


As principais noticias da Rio+20 num só post!
Vale conferir.

" A capacidade de o capitalismo adaptar-se a qualquer circunstância chegou ao fim." (Leonardo Boff)

>> Para Cúpula dos Povos, rascunho da Rio + 20 explicita teor neoliberal - Em uma ação batizada Rio+Leaks, a Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio + 20 que acontecerá entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, divulgou a mais recente versão do documento que servirá de base para as discussões da conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, que será realizada de 13 a 22 de junho no Riocentro. Para Sérgio Ricardo, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, texto é caminho para conferência "Rio menos 20". http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20244

>> Precisamos de mais ações de guerrilha urbana no dia a dia - por Leonardo Sakamoto - De início, devo reconhecer, eu era um tanto quanto cético quanto à real capacidade de flash mobs (aqueles protestos instantâneos, de curtíssima duração, organizados por redes sociais via internet ou por mensagens SMS) de contribuírem com alguma mudança na vida real.  http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/05/30/precisamos-de-mais-atos-de-guerrilha-urbana-no-dia-a-dia/

>> Cúpula dos Povos da Rio+20 tem inscrições abertas - Estão abertas a partir de hoje (29) as inscrições individuais para a Cúpula dos Povos, evento da sociedade civil paralelo à Rio+20. Cada inscrição custará R$ 10 para quem quiser ajudar a financiar as atividades, mas o pagamento não é obrigatório. O evento vai ocorrer no Aterro do Flamengo, entre os dias 15 e 23 de junho. Reunirá organizações não governamentais, movimentos sociais e coletivos para discutir o desenvolvimento sustentável com base na Justiça social e ambiental, segundo os organizadores. http://envolverde.com.br/noticias/cupula-dos-povos-da-rio20-tem-inscricoes-abertas/

>> Senado aprova redução de áreas protegidas --- O Senado aprovou ontem projeto que converte em lei a Medida Provisória 558, que redefine os limites dos Parques Nacionais da Amazônia, dos Campos Amazônicos e Mapinguari; das Florestas Nacionais de Itaituba I, Itaituba II, do Crepori e do Tapajós; e da Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós. http://www.ihu.unisinos.br/noticias/510008-senado-aprova-reducao-de-areas-protegidas

>> Sustentabilidade está fora da agenda - Para especialistas, governo prefere investir em estímulo ao consumo a mediar transição para economia verde - "Subsidiar energia suja é indefensável como a escravidão."  As discussões na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, serão orientadas segundo dois eixos básicos: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e o arcabouço institucional para esse mesmo desenvolvimento. Sobre o primeiro eixo, a rádio Estadão ESPN, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto Vitae Civilis, organizou anteontem um debate com o coordenador do Gvces, Mario Monzoni, e o coordenador de Processos Internacionais do Vitae Civilis, Aron Belinky, sob mediação de André Carvalho, do Gvces. http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=site/view&id=239119

>> Direito à terra foi vitória da Rio-92 - Entre as muitas decisões históricas obtidas com a Rio-92, não são muitas que, 20 anos depois, pode-se dizer que vingaram. O reconhecimento de que comunidades tradicionais das florestas, como índios e ribeirinhos, têm o direito de acesso à terra pode ser uma das exceções. A reportagem é de Giovana Girardi e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo - http://www.ihu.unisinos.br/noticias/510007-direito-a-terra-foi-vitoria-da-rio-92

>> Mundo pode alimentar mais pessoas com melhor eficiência--FAO - O mundo pode se alimentar com menos produção alimentícia do que se previa anteriormente caso adote a agricultura sustentável, reduza desperdícios e elimine os excessos no consumo, disse a agência da ONU para alimentação e agricultura (FAO) nesta quarta-feira. Se o atual padrão de consumo persistir, o mundo terá de elevar sua produção de alimentos em 60 por cento até 2050 em relação aos níveis de 2005-07, a fim de alimentar uma população que deve saltar dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões, segundo a FAO. http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=site/view&id=239127

>> “É preciso salvar os povos dos bancos”. Um bate-papo sobre o 15M - Josep Maria Antentas e Esther Vivas (foto) apresentam seu último livro “Planeta Indignado” e conversam com os leitores do sítio Público.es, 25-05-2012. A tradução é do Cepat.  http://www.ihu.unisinos.br/noticias/509983-e-preciso-salvar-os-povos-dos-bancos

>> Capital da Rio+20 é 'insustentável' - Só agora, com centro para tratar resíduos, dá para o Rio pensar em reciclagem."  Cercado de verde, Rio decepciona com praias poluídas e índices medíocres de coleta de lixo e de saneamento --- Cidade que vai abrigar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o Rio está longe de ser uma capital verde.  A cidade acumula problemas - esgoto que contamina praias e lagoas, falta de coleta seletiva, transporte concentrado em ônibus - e seus moradores ainda resistem a abandonar hábitos pouco ecológicos, como as sacolinhas plásticas.  Em resumo, a sede da Rio+20 ainda não fez o dever de casa ambiental. http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=site/view&id=239157

>> Sustentabilidade está fora da agenda da política pública - Para especialistas, governo prefere estimular o consumo a mediar transição para economia verde - O Estado de S. Paulo  - As discussões na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, serão orientadas segundo dois eixos básicos: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e o arcabouço institucional para esse mesmo desenvolvimento. http://www.radarrio20.org.br/index.php?r=site/view&id=239195

>> Código Florestal: tiraram o bode da sala - por Reinaldo Canto* - A presidenta Dilma atendeu em parte aos anseios dos milhares de cidadãos que se reuniram em torno da campanha VETA DILMA! No final, foram 12vetos e 32 modificações ao grotesco texto do Código Florestal que havia sido aprovado na Câmara dos Deputados. Em resumo, ele voltou a se parecer mais com o que havia sido aprovado no Senado Federal.  O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho chegou a afirmar que “este não é o código dos ambientalistas, e não é o código dos ruralistas. É o código daqueles que acreditam que o Brasil pode produzir mantendo o respeito ao meio ambiente”. http://envolverde.com.br/sociedade/artigo-sociedade/codigo-florestal-tiraram-o-bode-da-sala/

>> Ruralistas elaboram 50 emendas à MP que altera Código Florestal - Deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) elaboraram cerca de 50 emendas à Medida Provisória 571/2012, que trata dos trechos vetados do Código Florestal. Os parlamentares tem até sexta-feira para apresentá-las. O atual presidente da frente, deputado Moreira Mendes (PSD-RO), disse que vários deputados vão entrar com mandado de segurança contra a MP, por considerarem “uma afronta” e “entendendo que a presidenta exorbitou no seu poder”. http://www.ecodebate.com.br/2012/05/30/ruralistas-elaboram-50-emendas-a-mp-que-altera-codigo-florestal/

>> Crescimento verde vai além da redução das emissões de gases, defende Nobel - O aumento em produtividade significa fazer uma transição para um modelo de “crescimento verde”, em vez de simplesmente reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A opinião é do economista Thomas Heller, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007 por seu ativismo em prol da redução dos impactos das mudanças climáticas. Ele participou de palestra no Rio de Janeiro nesta terça-feira, 29 de maio. http://envolverde.com.br/noticias/crescimento-verde-vai-alem-da-reducao-das-emissoes-de-gases-defende-nobel/

>> O mundo pode escolher entre 6 e 16 bilhões de habitantes em 2100, artigo de José Eustáquio Diniz Alves - O futuro é uma página em branco na qual podemos escrever nosso destino, respeitando as limitações e as circustâncias históricas. O futuro da economia e da população depende das decisões que se tomam no presente e das medidas colocadas em prática nas décadas subsequentes. http://www.ecodebate.com.br/2012/05/30/o-mundo-pode-escolher-entre-6-e-16-bilhoes-de-habitantes-em-2100-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

>> Rede social se torna ombudsman da imprensa - Por Marcelo Semer, juiz --- Se a imprensa muitas vezes se assume como ombudsman do poder, as redes sociais estão se transformando cada vez mais em ombudsmans da própria imprensa. http://terramagazine.terra.com.br/blogdomarcelosemer/blog/2012/05/30/rede-social-se-torna-ombudsman-da-imprensa/

>> “Nosso prédio vale mais que dois dólares a ação” - O Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Globalização Transnacional e da Cultura do Capitalismo (NIEG) comenta o filme Wall Street 2: O Dinheiro Nunca Dorme (Oliver Stone, 2010). http://www.ihu.unisinos.br/noticias/510015-nosso-predio-vale-mais-que-dois-dolares-a-acao

>> Suprema Corte britânica autoriza extradição de Julian Assange para a Suécia  - Fundador do Wikileaks é acusado de crimes sexuais, mas diz ser vítima de perseguição política; ainda cabe recurso - A Corte Suprema de Justiça do Reino Unido aceitou nesta quarta-feira (30/05) o pedido de extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, para a Suécia. Por 5 votos a 2, os juízes rejeitaram recursos da defesa de Assange por entender que a solicitação do governo sueco cumpre os requerimentos legais. http://www.brasildefato.com.br/node/9691

>> Corte Suprema da Inglaterra decide contra Assange - A Corte Suprema do Reino Unido preparou o caminho para a extradição de Julian Assange para a Suécia, ao considerar legal o pedido da promotoria desse país. Assange é acusado por duas voluntárias do Wikileaks de violação e abuso sexual. A decisão foi por 5 votos a 2, mas a defensora de Assange, Dinah Rose, não se deu por vencida e solicitou sua anulação por “ter sido fundamentada com material que não foi discutido durante a audiência”. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.-- http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20246

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A ausência de uma nova narrativa na Rio+20. Por Leonardo Boff*



O vazio básico do documento da ONU para a Rio+20 reside numa completa ausência de uma nova narrativa ou de uma nova cosmologia que poderia garantir a esperança de um “futuro que queremos” lema do grande encontro. Assim como está, nega qualquer futuro promissor.

Para seus formuladores, o futuro depende da economia, pouco importa o adjetivo que se lhe agregue: sustentável ou verde. Especialmente a economia verde opera o grande assalto ao último reduto da natureza: transformar em mercadoria e colocar preço àquilo que é comum, natural, vital e insubstituível para a vida como a água, solos, fertilidade, florestas, genes etc. O que pertence à vida é sagrado e não pode ir para o mercado dos negócios. Mas está indo, sob o imperativo categórico: apropia-te de tudo, faça comércio com tudo , especialmente com a natureza e com seus bens e serviços.


Eis aqui o supremo egocentrismo e a arrogância  dos seres humanos, chamado também de antropocentrismo. Estes veem a Terra como um armazém de recursos só para eles, sem se dar conta de que não somos os únicos a habitar a Terra nem somos seus proprietários; não nos sentimos parte da natureza,  mas fora e acima dela como seus “mestres e donos”. Esquecemos, entretanto,  que existe toda a comunidade de vida visível (5% da biosfera) e os quintilhões de quintilhões de microrganismos invisíveis (95%) que garantem a vitalidade e fecundidade da Terra. Todos estes pertencem ao condomínio Terra  e têm direito de  viver  e conviver conosco. Sem as relações de interdependência com eles, sequer poderíamos existir. O documento desconsidera tudo isso. Podemos então dizer: Com ele não há salvação. Ele abre o caminho para o abismo. Enquanto tivermos tempo, urge evitá-lo.
Tal vazio se deriva da velha narrativa ou cosmologia. Por narrativa ou cosmologia entendemos a visão do mundo que subjaz às idéias, às práticas, aos hábitos e aos sonhos de uma sociedade. Por ela se procura explicar a origem, a evolução e o propósito do universo, da história e  o lugar do ser humano.
A nossa atual é a narrativa ou  a cosmologia da conquista do mundo em vista do progresso e do crescimento ilimitado. Caracteriza-se por ser mecanicista, determinística, atomística e reducionista. Por força desta narrativa 20% da população mundial controla e consome 80% de todos os recursos naturais; metade das grandes florestas foram destruídas, 65% das terras agricultáveis, perdidas, cerca de 27 a cem  mil espécies de seres vivos desaparecem por ano (Wilson) e mais de mil agentes químicos sintéticos, a maioria tóxicos, são lançados na natureza. Construímos armas de destruição em massa, capazes de eliminar toda vida humana. O efeito final é o desequilíbrio do sistema-Terra que se expressa pelo  aquecimento global. Com os gases já acumulados, até 2035 fatalmente se chegará a 3-4 graus Celsius, o que tornará a vida, assim como a conhecemos praticamente impossível.
A atual crise econômico-financeira que mergulha nações inteiras na miséria nos fazem perder a percepção do risco  e conspiram contra qualquer mudança necessária  de rumo.
Em contraposição, surge  a narrativa ou a cosmologia do cuidado e da responsabilidade universal, potencialmente salvadora. Ela ganhou sua melhor expressão na Carta da Terra. Situa nossa realidade dentro da cosmogênese, aquele imenso processo de evolução que se iniciou há  13,7 bilhões de anos. O universo está continuamente se expandindo, se auto-organizando e se autocriando. Nele tudo é relação em redes e nada existe fora desta relação. Por isso todos os seres são interdependentes e colaboram entre si para garantirem o equilíbrio de todos os fatores. Missão humana reside em  cuidar e manter essa harmonia sinfônica. Precisamos produzir, não para a acumulação e enriquecimento privado mas para o suficiente e decente para todos, respeitando os limites e ciclos da natureza.
 Por detrás de todos os seres atua a Energia de fundo que deu origem e sustenta o universo permitindo emergências novas. A mais espetacular delas é a Terra viva e os humanos como a porção consciente dela, com a missão de cuidá-la e de responsabilizar-se por ela.
Esta nova narrativa garante “o futuro que queremos”. Do contrário seremos empurrados fatalmente ao caos  coletivo com consequências funestas. Ela se revela inspiradora. Ao invés de fazer negócios com a natureza, nos colocamos no seio dela em profunda sintonia e sinergia, respeitando seus limites e buscando o "bem viver" que é  a harmonia entre todos e com a mãe Terra.  Característica desta nova cosmologia é o cuidado no lugar da dominação, o reconhecimento do valor intrínseco de cada ser e não sua mera utilização humana, o respeito por toda a vida e dos direitos da natureza e não sua exploração e a articulação da justiça ecológica com a social.

Esta narrativa está mais de acordo com as reais necessidades humanas e com a lógica do próprio universo. Se o documento Rio+20 a adotasse, como pano de fundo, criar-se-ia a oportunidade de uma civilização planetária na qual o cuidado, a cooperação, o amor, o respeito, a alegria e espiritualidade ganhariam centralidade. Tal opção apontaria, não para o abismo, mas para o “o futuro que queremos”: uma biocivilização da boa esperança.

Como o diabo gosta e os ruralistas adoram.Roberto Malvezzi (Gogó)


Artigo mais que perfeito de Roberto Malvezzi (Gogó). Assino embaixo!
Dilma, você não vetou o código ruralista, mas agora nós vetamos você.



Os ruralistas plantaram na sociedade brasileira não um bode, nem apenas um jumento, sequer um hipopótamo: plantaram a monocultura mental do setor no coração da nação. Fizeram uma guerra e ganharam. Venceram todos, inclusive o governo que finge ter resgatado algo de digno no vilipendiado Código Florestal. Enfim, plantaram um ruralista na encruzilhada à meia noite.

A ameaça de 50 emendas é apenas demonstração de força, prepotência total, queesse setor da sociedade acumula desde os tempos dos coronéis e jagunços, mentalidade que jamais abandonaram.

Não vão pagar as dívidas. Os morros vão estar entregues às enchentes, erosões ecatástrofes humanas. Os apicuns continuarão sendo palco das fazendas de camarão. Reduziram a pó as Reservas Legais e as Áreas de Preservação Permanente. O que mais uma cabeça ruralista poderia querer?

Mas, por que esperávamos algo diferente? Concentram em suas mãos a terra e os grandes volumes de água. Representam 40% das exportações brasileiras. Podemutilizar trabalho escravo em suas fazendas. Semeiam anualmente  5,2 litros de veneno na mesa de cada brasileiro. Tem uma bancada no Congresso proporcional à acumulação de terras.

Nada adianta setores da esquerda proclamarem que os ruralistas perderam algo, ainda que seja os anéis. Saem fortalecidos, nessa ditadura da oligarquia rural imposta ao resto da nação.

Quem achava que a terra não é mais poder no Brasil, seria bom refazer suas análises.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cada um na sua luta. "A Marcha"


Simone de Beauvoir se contradisse com a frase “que nada nos defina que nada nos sujeite, que a liberdade seja nossa própria substância.”

Com esta frase de efeito, que deveria ser aplicada a todos, Simone caiu em um contrassenso, afinal, era feminista e isso é uma definição que não torna nenhuma mulher livre.

Quero falar hoje sobre a marcha das vadias que surgiu no Canadá, após uma série de estupros ocorridos em Toronto.

Um policial, convidado para orientar sobre segurança, disse que as mulheres poderiam evitar o estupro se “não se vestissem como vadias”. Este argumento gerou indignação e diversos protestos, que acabaram culminando na primeira Marcha das Vadias. Digno, muito justo. Vamos protestar contra a discriminação e principalmente versus a violência contra as mulheres.

Acontece que quando as coisas são extremas elas perdem seu propósito, o extremismo banaliza e empobrece a causa.

Foi essa a minha conclusão após participar da marcha ontem, em Porto Alegre na sua segunda edição.
Alguns cartazes me pareceram bastante coerentes com o objetivo da causa: “o tamanho da minha saia não é um convite ao estupro”, “O corpo é meu e as regras são minhas”, “sou livre com quem eu quiser”, “diga não a violência doméstica”, “A culpa não é de ninguém além do estuprador”, etc., etc... Aí estava o proposito da marcha.

Mas longe de parecer uma marcha em busca da liberdade, foi uma marcha de exaltação do feminismo. As feministas que me desculpem, mas ser feminista ao extremo é tão ruim quanto ser machista ao extremo, são definições que tiram nossa liberdade, nossa substância, de simplesmente sermos nós mesmos, sem rótulos.
Cartazes diziam “não a globalização do silicone”, “Não nasci pra ser barbie, viva as gordas”,  “abaixo corpo de miss”, “Eu também tenho pelos”.
 Enquanto todos cantavam : Cuidado machista a América latina ainda vai ser feminista...

Só um minuto, por favor? Isso tudo também é discriminação, e não se combate discriminação discriminando. Correto?

 Se uma mulher não quer ser feminista nem machista, apenas mulher e feminina, ela precisa ser discriminada? Vamos agora então discriminar quem escolheu por livre e espontânea vontade aumentar os seios e diminuir a cintura?E quem quer ser barbie, ou é magra "de ruim"? Vamos discriminar quem decide por livre vontade se depilar? Vamos discriminar a opção de vida das “diferentes”?
Não, não, não. Eu discordo.

Acredito que nada funcione bem sem o equilíbrio. Acredito que mostrar os seios como protesto não seja uma exposição maior que mostrar a esposa lavando a cueca do marido, ou cozinhando para ele, como se isso fosse obrigação das mulheres. São dois extremos e nenhum é menos desequilibrado que o outro. Acontece que o machista acha um absurdo ver uma mulher protestando a favor de sua liberdade, a ponto que a feminista acha um desaforo uma mulher se sujeitar a ser mandada pelo marido. Eu não escolho nenhum dos dois.

Não, eu não queimei o meu sutiã, mas não me submeto mais a nenhum ato machista. Não sou escrava de ninguém, se faço, faço porque quero. Sinto-me livre por não me reprimir pelo machismo nem pelo feminismo. Sinto-me livre por simplesmente ser aquilo que eu acredito que seja certo, sinto-me feliz por sentir-me livre para fazer minhas escolhas, e eu escolho ser eu mesma, sem nada “me sujeitando”, tendo a liberdade como minha própria substância.

Se é para ser do contra, sou contra os machistas e acho que eles já causaram danos demais para o mundo e para as mulheres , em todas as gerações. Sim, o machismo mata. O machismo transforma as pessoas em seres indóceis, homofóbicos, dominadores, que acreditam que realmente são donos da verdade. Atenção homens, contra fatos não há argumentos : não viemos das suas costelas, vocês vieram de nossos úteros!

Ao mesmo passo, creio que queimar sutiã já não é mais o que fará a diferença na luta por direitos iguais. Algumas mulheres corajosas já fizeram isso lá nos anos 60. Teve resultado, mas não mudou o mundo, e não vai ser isso que vai mudar agora. Acreditem ou não, peitos de fora não farão ninguém mudar de ideia. Mas tudo bem se você quiser lutar por isso. É a sua causa, e na minha concepção não tem nada de errado. Concordo: Se eles podem, porque nós não podemos? Que isso apenas não se torne uma obrigação para quem prefere continuar vestida com seu sutiã.

Não acredito em direitos iguais, acredito em direitos justos. Graças a Deus, homens e mulheres não são iguais, e não precisam ser machistas nem feministas para serem tudo que quiserem ser, e conquistarem tudo que tem direito.
O mundo precisa de equilíbrio, é nesta marcha que eu pulo e bato o pé.

Eu escolho Ser.

 Meu cartaz: Apenas o que eu quero do mundo! AMOR!

 Amigos, (Leo e Leti) unidos, cada um pela sua causa!

Elas literalmente queimaram o sutiã, cada um com sua causa. Eu mantive o meu, e não me sinto menos por isso. Acho corojaso, mas não sei se necessário.

Creditos:
Foto 1- Ragi Shanti (Rogérinho)
Foto 3- Leticia Ruschel



domingo, 27 de maio de 2012

XINGU+23. Divulgue sem moderação!

"Às portas da Rio +20 – e vinte e três anos depois da primeira vitória dos povos contra o projeto de barramento do rio em 1989, o histórico 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu -, acontecerá um encontro decisivo: o Xingu +23. Pescadores, ribeirinhos, pequenos agricultores, indígenas, movimentos sociais, acadêmicos, ativistas e defensores do Xingu estarão juntos em Altamira, a partir do dia 13 de junho, para decidir os próximos passos na luta contra a hidrelétrica mais polêmica do planeta. Participe!

Você pode ajudar participando do encontro, procurando os comitês de mobilização, divulgando nas redes sociais e locais de vivência, e também contribuindo financeiramente para que o Xingu +23 aconteça"

Saiba mais AQUI.

Clique nas imagens para ampliar.







E para começar, que tal distribuir estas imagens por todas as suas redes sociais? Vale facebook, google+, orkut, twitter, blogs, sites, e-mail... Espalhem sem moderação.

O Rio Xingu e seus povos contam com a nossa ajuda!
beijos,
Sam

sábado, 26 de maio de 2012

DILMA, você falhou com o Brasil.


Presidente Dilma.

O Brasil hoje acordou em LUTO pelo inicio da morte de nossas florestas, e consequentemente a de tudo que vive nelas, e pela nossa própria vida, que depende das florestas em pé. A exploração ilimitada de nossos recursos naturais está para começar.

Dilma, você é Presidente do Brasil, foi eleita pela maioria de nós, povo brasileiro, para ser nossa representante, mas desta vez você não foi.
O povo brasileiro te pediu, e deu suporte politico para que você desse o veto integral ao novo código Florestal. Você não o fez, e ainda não agiu com transparência. Estamos no escuro e decepcionados. Você não cumpriu o que prometeu em sua campanha, você não teve pulso, e sua palavra para mim não vale mais nada.

Presidente Dilma, Estamos vivendo o maior retrocesso na luta socioambiental no Brasil. estamos envergonhados em sediar a Rio+20 após sua infeliz decisão. Já entendemos claramente que sustentabilidade ambiental não tem lugar no seu governo. Não tínhamos nada contra você, Dilma, mas a favor do Brasil. 
No entanto já percebemos que você não luta no mesmo lado que nós, não esta do lado do Brasil, e sim de interesses políticos que não cabe a nós cidadãos normais termos conhecimento. Os ruralistas te agradecem e te garantem a próxima campanha.

Você decidiu entre o povo e os ruralistas. Você fez sua escolha, e nós faremos a nossa escolha.

Eu escolho continuar lutando por uma floresta viva para SEU NETO, para os meus filhos, para as próximas gerações. E para que esta luta continue e tenha sucesso, eu não escolho você.

A credibilidade do Brasil estava junto com a sua decisão. Estamos acabrunhados, mas não vamos desistir do Brasil. Desistimos de você, Presidente Dilma Rousseff. Você nos constrangeu perante o mundo, você deu OK para a destruição das nossas florestas, você mentiu em sua campanha. Sinto desonra em ser governada por você.

Governo é como violino... Toma-se com a esqueda e toca-se com a direita.—Voltaire

Samantha Pinotti
Porto Alegre , 26 de maio de 2012.





Nota do Comitê Brasil em Defesa das Florestas sobre o veto parcial do Projeto de Lei que altera o Código Florestal Brasileiro

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas assistiu nesta sexta (25) com grave preocupação o anúncio da sanção parcial do projeto de Código Florestal aprovado no Congresso, o que frustrou a expectativa de ampla maioria da população pelo veto integral.

O conteúdo das medidas não foi divulgado oficialmente, denotando total falta de transparência. Preocupa-nos ainda, além do conteúdo anunciado, o desdobramento do processo por meio de Medida Provisória.

A anistia segue como eixo central do texto, visto que, a data de 2008 como linha de corte para manutenção de áreas desmatadas ilegalmente continua inalterada e, consequentemente, promove a isenção de recuperação de Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reserva Legal.

As flexibilizações em relação a lei atual podem ser ainda ampliadas, pois a matéria e os pontos modificados serão devolvidos ao Congresso.

A sanção parcial pela presidente Dilma reforça a necessidade de ampliar a mobilização, que será intensificada na Rio+20. A campanha “Veta Tudo, Dilma!”, que se tornou um fenômeno social no Brasil, seguramente continuará, pois a sanção parcial não encerra a vontade dos brasileiros de construir um Código Florestal que concilie conservação e produção.

Brasília, 25 de maio de 2012.

Afinal, bons passos na área da energia. Por Washington Novaes




Publicado em " O Estado de S. Paulo", sexta-feira 25/5.




Boas notícias na área da energia: a primeira,  segundo o Ministério de Minas e Energia (ESTADO, 9/5), é a de que o Brasil não prevê novas usinas nucleares (perigosas, caras, sem destinação para o lixo radiativo) para antes de 2021; e só Angra 3 continuará em construção (a parte discutível é que retomara depois o projeto de implantar de 4 a 8 centrais nucleares dali até 2030); 2) a segunda é que a Agência Nacional de Energia Elétrica vai reduzir em 80% tributos a serem pagos por usinas fotovoltaicas e solares térmicas que entrarem em operação até 2017 (Folha de S. Paulo, 13/4). Claro que ainda há pontos discutíveis. O próprio cientista Carlos Nobre, que orienta o Ministério de Ciência e Tecnologia em matéria de clima, admitiu  no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que a elevação do nível do mar no litoral fluminense aconselharia reeestudar ali (onde estão também as usinas Angra 1 e 2) a localização de usinas nucleares.
Não é só. Diz este jornal ( ESTADO, 20/3) que 18 projetos de pesquisa na área solar, avaliados em R$400 milhões, começam a ser viabilizados, para painéis fotovoltaicos, parques e estádios de futebol – além de já haver 8 em operação. Haverá forte economia em linhas de transmissão, pois o consumo será próximo à geração. O preço do megawatt/hora está em torno de R$300, mas já se prevê sua redução para um terço, próximo do valor nas usinas eólicas e hidrelétricas. Em alguns lugares, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, a geração para uso residencial já é economicamente viável. E ainda mais prevendo, além da isenção de impostos, formatos de financiamento. Em 10 anos a participação da hidroeletricidade na nossa matriz energética cairá de 75% para 67%. No mundo, a capacidade de geração nessa área subiu de 0,7 GW, em 1996, para 40 GW. Os preços caíram 42%.
Já em 1976, diz o prof. Emílio Lébre La Rovere, da COPPE-UFRJ, um projeto de pesquisa e desenvolvimento em energia solar desenvolvido pelo FINEP mostrava a conveniência de adotar a energia solar, pois a economia já seria alta só na substituição de chuveiros elétricos. Agora, afirma, na “Carta do Sol” (19/8/11), que a biomassas, as pequenas centrais hidrelétricas e a energia eólica têm potencial de concorrer em igualdade de condições com fontes fósseis de energia. Mas em 2009, a hidroeletricidade ainda respondia por 84% dos   89% de energia renovável no país. A conclusão, afirma o relatório, é que a energia solar evita custos de transmissão e distribuição, além de economizar em “edifícios inteligentes; o Brasil tem muitas vantagens comparativas na área, entre elas a disponibilidade do silício entre as matérias-primas, a produção interna de células e filmes – fora a possibilidade de a energia solar baratear muito o custo nas áreas rurais da Amazônia.
Tudo isso é muito valioso, quando a Organização Européia para a Cooperação e o Desenvolvimento (OECD) alerta para a possibilidade de um “colapso ambiental”, já que em quatro décadas virá de combustíveis fósseis 85% do aumento no consumo de energia, que será de 80%, transformando a poluição do ar no maior problema mundial de saúde – como se escreveu neste espaço em 6/4. E isso pode implicar aumento de 3 a 6 graus Celsius na temperatura do planeta. Também contribuirá para o aumento de 50% nas emissões de gases poluentes até 2050 (e o setor de energia contribui com 70% das emissões).
Na verdade, também aí entra a questão do consumo excessivo – para a qual adverte a Royal Society britânica(27/4), enfatizando a necessidade de reduzir os padrões dos países ricos nessa área, ao lado de maior controle do crescimento populacional nas faixas de menor renda. Também o boletim do Deutsche Bank (27/4) afirma que as emissões de poluentes continuarão a subir pelo menos até 2016, quando deverá iniciar-se um declínio lento até 2020.Ainda assim, o excesso de emissões sobre o máximo tolerável (49,8 bilhões de toneladas anuais), para que a temperatura não suba mais de 2 graus, estará em 5,8 bilhões de toneladas anuais, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
As chamadas energias alternativas são importantes para o Brasil também porque não estamos conseguindo cumprir o “compromisso voluntário” de baixar nossas emissões em 39%, calculadas sobre o que viriam a ser em 2020 (apenas uma hipótese). Até aqui (Folha de S. Paulo, 4/12/11) não se cumpriu nenhum plano de redução nos 11 setores industriais previstos; e continuam próximos de 15 mil quilômetros quadrados  o desmatamento e as queimadas na Amazônia e Cerrado. O próprio Fundo Nacional de Mudanças Climáticas só recebeu R$5,1 milhões dos R$238 milhões que lhe seriam destinados.
“O planeta está falido”, tem dito o prof. Sérgio Besserman Vianna, ex-presidente do IBGE, hoje um dos coordenadores da conferência Rio + 20. “Somos pequenos. Não conseguimos implantar um novo Renascimento”, mesmo sabendo que “entre 30 e 50 anos o Semiárido brasileiro terá desaparecido, será um deserto”. Seu diagnóstico caminha na mesma direção do relatório divulgado há  poucos dias pelo WWF, segundo o qual o consumo de recursos naturais já excede em 50% a capacidade de reposição planetária. E a população terrena aumentará de pelo menos 2 bilhões de pessoas até 2050, enquanto cresce o consumo nos setores de menor renda. Mas os países industrializados, com menos de 20% da população mundial, respondem por 80% desse consumo, segundo a ONU. As emissões de 500 milhões de pessoas que vivem em países ricos – observa o prof. Ricardo Abramovay (FEA-USP) - respondem por 50% das emissões de poluentes derivados de combustíveis fósseis. Isso, diz ele,  torna imperativa uma mudança na matriz energética mundial; aumento da ecoeficiência; e a substituição da “economia da destruição” pela ”economia baseada no conhecimento da natureza”.
Toma juízo o Brasil ao optar por mais energias renováveis e não-poluentes.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

GOVERNO ANUNCIA VETO PARCIAL


DILMA ROUSSEFF IGNORA MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL E BARRA APENAS 12 ITENS DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL
25/05/2012 Via Floresta Faz



Apesar de apelos de cientistas e da sociedade civil, a presidente Dilma Rousseff optou por apenas vetar parcialmente o texto modificado no mês passado pela Câmara dos Deputados, que altera o Código Florestal brasileiro. Em coletiva de imprensa concedida pelos ministros Mendes Ribeiro, da Agricultura, Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário, e Luis Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União, o governo anunciou que 12 itens foram vetados e que o documento sofreu outras 32 modificações. A redação completa do Código, já com os vetos presidenciais, só será conhecida na segunda-feira (28) com a publicação do Diário Oficial da União, uma vez que os ministros divulgaram somente dois dos artigos excluídos pela presidente.
Izabella Teixeira alegou que não haverá anistia a proprietários desmatadores. As lacunas deixadas pelo veto, por sua vez, serão preenchidas pela edição de uma Medida Provisória, também na segunda-feira.
A decisão da presidente Dilma frustra a maioria da sociedade brasileira, que se mostrou favorável ao veto integral do novo Código durante todo o debate. Além do mais, barrar apenas alguns dispositivos do projeto de lei contribui para um ambiente de insegurança jurídica em relação à questão ambiental nacional.  “A anistia segue como eixo central do texto, visto que a data de 2008 como linha de corte para manutenção de áreas desmatadas ilegalmente continua inalterada e, consequentemente, promove a isenção de recuperação de Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reserva Legal”, destaca, em nota, o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Abrindo as janelas

Hora de abrir as janelas e aproveitar a luz do dia!!! BOM DIA CORUJAS!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

As crises do mundo e a libertação pelo Tao. Por Washington Novaes



Leonardo Boff é um erudito. Filósofo, teólogo, autor de dezenas de livros, poucas pessoas, como ele, terão mergulhado tão fundo, com tanta pertinácia, na busca do conhecimento – e do conhecimento da origem, da evolução, do sentido da vida. Tudo isso está presente no livro lançado este ano – O Tao da libertação (Editora Vozes) -, no qual, em parceria com Mark Hathaway  (educador, pesquisador, “ativista ecumênico da ecojustiça”, como é descrito na obra) , traça, em mais de 400 páginas, um roteiro para essa busca. É de perder o fôlego, na medida em que cada página, cada parágrafo, cada frase, é perquiridora, fértil.
Coincidência ou não, o livro é lançado aqui no momento em que uma das mais respeitadas publicações na área da ciência, a revista New Scientist (17/3), em sua matéria de capa, coloca o tema “A questão de Deus – a surpreendente nova ciência da religião”, em que examina o tema “Por que a religião pode sobreviver (ultrapassar) a ciência”.E no momento em que um documento assinado por 20 dos mais respeitados cientistas – todos ganhadores do “Blue Planet”, prêmio alternativo ao Nobel do Meio Ambiente – evidenciam como os nossos modos de viver ameaçam o futuro do planeta e da espécie humana.  A origem e a evolução do universo, o aparecimento da espécie humana, seus descaminhos e as possibilidades de um reencontro com o Tao da Libertação (a procura pela sabedoria) são exatamente o tema desse livro instigante de Boff/Hathaway. Que, ao examinar uma questão central - por que o processo evolutivo criou o ser humano e os dramas que ele produz ? -,  responde de modo semelhante ao que dizia o saudoso psicanalista Hélio Pellegrino: para se ver.
E por que o Tao ? O prólogo do livro responde com os versos: “Existia algo inteiro/antes do céu e da terra./Silencioso e sem forma./Instável e independente./ Sempre em movimento,/ em círculo./ Chamemos-lhe a mãe do mundo./ Não sei seu nome./Chamo-lhe Tao...” Boff e Hathaway complementam: “ O Tao da Libertação é uma procura pela sabedoria necessária para implementar profundas transformações em nossas vidas” . Ele pode ser entendido como “um princípio de ordem que regulamenta o cosmo; é ao mesmo tempo o modo de ser do universo e a estrutura fluídica cósmica que não pode ser propriamente descrita, nas apenas percebida (..) É a sabedoria central do universo, a sabedoria que abrange a essência de seu propósito e de sua direção (..) Transcende, de certa maneira, qualquer filosofia ou religião(...) É uma arte, não é uma ciência exata” (...) É um mistério: nós não podemos fornecer a direção do caminho, não podemos detalhar um mapa preciso”.
Mas seguir nessa busca permitiria encontrar novas maneiras de viver, “nas quais as necessidades da humanidade sejam harmonicamente consistentes com as necessidades e o bem-estar de toda a comunidade de vida da Terra, e com o próprio cosmo (...)Usamos a palavra libertação para nos referirmos a esse processo de transformação”.
É também um livro de esperança, por entender que “o ciclo de desespero e destruição pode ser quebrado”, desde que se admita que o primeiro passo seja “reconhecer que temos de mudar”. Para isso, é preciso repensar uma visão cósmica do universo, de seus 15 bilhões de anos de existência. Saber que a existência da Terra, se condensados esses 15 bilhões de anos em um século, terá começado no ano 70; a vida nos oceanos no ano 73; depois, duas décadas de vida limitada a bactérias unicelulares, que mudaram o universo, a atmosfera, os oceanos, a geologia da Terra – e isso permitiu formas de vida mais complexas. Mas só no ano 93  vieram a reprodução sexual e a morte de organismos singulares. Dois anos depois, chegaram os primeiros organismos milticelulares. Mais um ano, o sistema nervoso. Outro ainda e os organismos vertebrados. Só no ano 98 , depois dos dinossauros e das primeiras plantas floridas, chegaram os mamíferos. Há apenas 12 dias cósmicos “nossos ancestrais se tornaram bípedes” e há 6 dias começaram a usar ferramentas. Há apenas um dia cósmico o homo erectus “conquistou o fogo”. E há doze horas cósmicas surgiu o homo sapiens, os “humanos modernos”.Nessa trajetória, os impactos mais fortes nos ecossistemas vêm ocorrendo há “apenas dois minutos” , com o surgimento da civilização tecnológica. Mas a destruição acelerou-se nos últimos 12 segundos, na segunda metade do século 20.
No entanto, dizem os autores, “tempos de crise podem ser tempos de criatividade”, capazes de superar  as imensas dificuldades. E a “ecologia da transformação” descreve os “processos de inter-relação que devem ser acionados para podermos restaurar a saúde da nossa casa comum, a Terra”. A alternativa principal está nos biorregionalismos, capazes de “conceber uma sociedade baseada em pequenas comunidades locais ligadas por uma rede de relacionamentos fundados na igualdade, na compartilha e no equilíbrio ecológico, em lugar da exploração da natureza. Este modelo procura construir sociedades que são autossuficientes e auto-reguladoras”. E “Deus  vem misturado com todos os processos (as etapas, caminhos e métodos estão descritos no livro), sem perder-se dentro deles: “Tudo não é Deus. As coisas são o que são, coisas. No entanto, Deus está nas coisas (...) Em cada mínima manifestação de ser, em cada movimento, em cada expressão de vida estamos às voltas com a presença e a ação de Deus. Abraçando o mundo, estamos abraçando Deus”.
Com toda a certeza, é um livro que vale a pena ler, seja o que for que se pense.